Project Description

1. Transplante de córnea

O transplante de córnea é a cirurgia que troca a córnea doente do paciente por outra sadia de um doador. A córnea é o tecido transparente que fica acima da íris colorida. As doenças que mais frequentemente são tratadas com transplante de córnea são: ceratocone, distrofia de Fuchs (córnea edemaciada com bolhas) e as cicatrices ou opacidades causadas por herpes, trauma, cirurgia de pterígio, entre outras.
O transplante de córnea pode ser penetrante ou lamelar. Chamamos de penetrante quando a totalidade da córnea doente do paciente é trocada (deixando apenas uma rima periférica para os pontos). O transplante lamelar é uma técnica mais moderna com muitas vantagens onde só uma camada da córnea é trocada. No transplante lamelar anterior ou DALK pelas siglas em inglês, somente são trocados o estroma anterior e o epitélio. No transplante posterior ou endotelial apenas a parte mais posterior da córnea, chamada endotélio, é trocada. Na cirurgia chamada de DSEK ou DMEK pelas siglas em inglês, a camada doente é retirada por uma pequena incisão e posteriormente colocada uma camada de endotélio no caso do DMEK ou de endotélio com estroma no DSEK. Graças à pequena incisão o transplante endotelial pode não levar pontos. O transplante lamelar tem menor risco de rejeição, portanto a córnea doada tem maior tempo de sobrevida. Outra vantagem é a maior resistência ao trauma já que é mantida parte da córnea do paciente. Além disso, nos transplantes endoteliais a recuperação visual é mais rápida.
Os cuidados com o transplante de córnea são para toda a vida. O risco de rejeição e de perda de visão sempre existem, por isso os pacientes transplantados devem ir no oftalmologista especialista em córnea anualmente.

2. Ceratocone

O ceratocone é uma doença da córnea (tecido transparente acima da íris colorida), caracterizada por afinamento e protrusão progressivos. Em outras palavras, a córnea vai mudando sua forma arredondada normal para um cone ficando também mais fina. Tipicamente, o ceratocone causa baixa de visão pelo astigmatismo irregular e miopia, porém em etapas mais avançadas pode ocorrer cicatrização com importante comprometimento da visão devido à perda da transparência. Também há queixas de sensibilidade à luz (fotofobia) e coceira. Os sintomas começam geralmente na adolescência, progredindo até os trinta ou quarenta anos. Não existe um padrão hereditário porém 5-10% dos pacientes têm algum familiar afetado. A doença afeta sempre os dois olhos, mas geralmente um olho é mais afetado que o outro (assimétrica). Algumas condições como a alergia ocular e a Síndrome de Down são mais frequentes nos pacientes com ceratocone.
O diagnóstico é feito com exame clínico e a topografia da córnea. A topografia também é necessária para ver a progressão e ajuda a definir o tratamento. A tomografia de ćornea proporciona mais dados sobre a doença sendo necessária para o planejamento cirúrgico e em casos mais iniciais da mesma.
O tratamento do ceratocone varia de acordo com a gravidade da doença, a idade e as necessidades visuais do paciente. Temos dois objetivos do tratamento do ceratocone, um é melhorar a visão e o outro é evitar a progressão.
1) Melhorar a visão:
• Óculos: casos iniciais conseguem melhorar a visão com óculos simples.
• Lentes de contato: com lentes rígidas gás-permeáveis convencionais o paciente consegue uma visão muito boa, na maioria dos casos. Em casos mais avançados pode ser necessário o uso de lentes com desenhos especiais como as esclerais. As lentes gelatinosas não servem na maioria dos casos de ceratocone (porque estas não conseguem modificar a forma da córnea, somente corrigem o grau).
• Cirurgia:
Quando a visão com lentes de contato não é satisfatória, ou existe intolerância às mesmas, está indicada a cirurgia. Hoje em dia temos várias opções de cirurgia, desde a mais simples como o implante de anel intraestromal até o transplante de córnea.
– Anel intraestromal: são pequenos fragmentos de anel de plástico transparente que inseridos dentro do estroma corneano deixam a superfície  mais regular, mais parecida com a córnea normal. Para colocar os anéis no estroma podemos utilizar instrumentos especiais ou o laser de femtosegundo. A técnica é minimamente invasiva e pode ser reversível.
– Transplante de córnea: no passado era o único procedimento cirúrgico para o tratamento do ceratocone, mas com o diagnóstico e tratamento precoce cada vez é menos realizado.
2) Evitar a progressão
• Tratamento da alergia ocular.
Os pacientes com ceratocone não podem coçar os olhos!. O uso de lubrificantes e anti-alérgicos tópicos deve ser rotineiro e o acompanhamento com especialista em alergologia é recomendado.
• Cross-linking corneano.
O cross-linking promove a formação de ligações cruzadas entre as fibras de colágeno aumentando em mais de quatro vezes a rigidez da córnea. Até hoje é o único tratamento que consegue diminuir a progressão da doença. O mesmo é realizado no centro cirúrgico com anestesia tópica, colírio de riboflavina e luz ultravioleta.